DESENVOLVIMENTO AO LONGO DO CICLO DE VIDA - O PORQUÊ DA SUA ORDEM NATURAL
A INFÂNCIA, A VELHICE - A ÂNSIA PELO REJUVENESCIMENTO
SINOPSE: The Curious Case of Benjamin Button
Benjamin Button tem uma característica incomum: nascido com oitenta e poucos anos, ele rejuvenesce a cada dia que passa. Ainda assim, é um homem como qualquer outro, que não pode parar o tempo e precisa percorrer seu caminho, vivendo a sua história ao lado das pessoas que conhece e os lugares que frequenta durante a sua jornada. *1
Palavras-Chave: Infância, velhice, vinculação, sabedoria, sequência, vida, morte, início, fim.
RESUMO:
Na obra de ficção, “The Curious Case of Benjamin Button”, o desenvolvimento ao longo do ciclo de vida passa-se no sentido inverso àquele que naturalmente acontece. Nesta obra assiste-se ao nascimento do velho e à morte do novo. Nascer velho, doente, engelhado, sábio. Seria alguma vez possível? Ao nascermos velhos e doentes resistiríamos? Quem nos poderia cuidar e ensinar?
O Universo e a Via Láctea são imensos, não sabemos se existem outros seres, mas se existem, que fases passam no desenvolvimento ao longo do ciclo de vida? No Planeta Terra, o desenvolvimento do ser humano é como se conhece; nasce-se, vive-se e morre-se. Desde o nascimento à morte as fases são diversas, bem definidas, com um seguimento natural.
O percurso de vida para que o ser humano foi criado tem uma sequência lógica e razão de ser. Muito se passa, muito se observa, muito se sente. Na velhice cada ruga tem uma história e uma sabedoria associada, contudo há um fim anunciado e cada vez mais próximo, mas a ânsia que o ser humano tem de ser eternamente jovem e atraente é sobejamente conhecida. A ciência continua à procura da fórmula do rejuvenescimento mas a possibilidade de a encontrar é ainda incerta.
No desenvolvimento ao longo do ciclo de vida, depois do nascimento, a infância vem em primeiro lugar. Segue-se uma fase conturbada e à procura da própria identidade que é a fase da adolescência e de seguida a estabilidade consolida-se na fase adulta. Por fim passamos a uma fase mais madura, a terceira idade ou velhice. “…o termo “velho” parece se manter e é comumente utilizado para designar pessoas velhas de classes populares, enquanto “idoso”, mais respeitoso, é utilizado para aqueles de camadas médias e superiores”. (Silva, L. 2008 : 163).
Uma das características próprias desta fase é a sabedoria. Adquire-se com o tempo, com a experiência, com a capacidade de resiliência, com os outros, e com os nossos. Para definir este conceito existem várias concepções. “Sensíveis à multidimensionalidade deste conceito, diversos autores desenvolveram conceptualizações de sabedoria em que as dimensões cognitivas e afectivas se encontram integradas” (Marchand, H. 2001 : 148). “A dimensão transcendental da sabedoria, (isto é, o interesse pelo auto-conhecimento, pela busca do sentido de vida, pelo desenvolvimento da espiritualidade), embora seja referenciada em algumas conceptualizações (cf. Kramer, 1990; Holliday & Chandler, 1990), tem sido até agora, pouco estudada” (Marchand, H. 2001 : 157).
A improdutividade é outra das características desta fase, leva o idoso a sentir-se incapaz e inútil no que concerne à sua contribuição para a sociedade. A senilidade e a decadência física também lhe são associadas, e por este motivo a dependência e necessidade de cuidados por parte de terceiros é quase certa. Na sociedade actual, a solidão e negligência que esta faixa etária sofre é cada vez mais notória levando a depressões constantes. (Quantos de nós não ouvimos na comunicação social a notícia de uma idosa que foi encontrada morta, em casa, nove anos depois e ninguém deu pela falta? *2 ) O tempo é escasso para todos, e estes filhos já não conseguem dar resposta aos cuidados que os pais precisam. O estado, também tem a sua quota-parte da culpa na medida em que não é capaz de definir medidas, estratégias e/ou programas que protejam e cuidem dos nossos idosos. Diz-se que os velhos voltam a ser bebés, e esta situação constata-se nos cuidados que cada uma destas faixas etárias exige. As grandes semelhanças entre os idosos e os bebés estão precisamente na atenção e cuidados que ambos requerem.
Nos dois primeiros anos de vida o desenvolvimento da criança é complexo, dinâmico, acentuado, importante, e baseia-se na satisfação das suas necessidades fisiológicas primárias. O recém-nascido dito normal, isto é, sem qualquer tipo de deficiência, está dotado e exerce as suas capacidades físicas e sensoriais (olfacto, paladar, audição, visão e tacto). Numa segunda fase, e devido à evolução da sua estrutura corporal e curiosidade pelo meio que o rodeia, sofre grandes modificações tais como o gatinhar, sentar, andar e falar. O desenvolvimento cognitivo da criança inicia-se, segundo Piaget, desde o nascimento da mesma até aos 18-24 meses, subdividindo-se em seis subestádios. Nesta fase o indivíduo é ainda um ser indefeso, dependente e com capacidades cognitivas limitadas. O seu desenvolvimento depende da transacção dos afectos e do modo como se sente amado, sendo que a vinculação é a palavra-chave de todo o processo inicial desta fase. “A vida familiar é pois, crucial para o seu desenvolvimento. A família constitui-se como o primeiro agente de socialização e como tal é a família e/ou substitutos (creche), que compete responder às necessidades da criança, ou seja, às suas prioridades estruturais.” (Oliveira, M & Cunha, M. (…):32). A atitude familiar perante comportamentos anti-sociais, é essencial para regulamentar e desenvolver as competências sociais da criança. É nesta altura que o ser humano adquire a base de aprendizagem da sua vida futura. “As emoções são os grandes organizadores das nossas mentes e é no berço que as emoções se organizam e regulam (Karr-Morse & Wiley, 1997). Para Vygotsky, a interacção social do indivíduo conjuntamente com o meio em que está inserido, estão directamente relacionados com o seu desenvolvimento cognitivo. É a Zona de Desenvolvimento Proximal, que vai funcionar como motor e fornecer as ferramentas necessárias para a conquista da independência e capacidade de resiliência na formação do indivíduo. No modelo bioecológico de Bronfenbrenner o desenvolvimento do indivíduo depende igualmente destas interacções, mas nesta visão os ambientes deixam de ser estruturas estáticas, passando a ser como as matrioskas russas - estruturas encaixadas em outras afectando em simultâneo o desenvolvimento e capacidade de aprendizagem do indivíduo. Estas estruturas foram designadas, pelo autor, de micro-, meso, exo-, macro– e cronossistema, e nelas estão contidas, o próprio indivíduo e os seus pares, a família, a escola, a comunidade e o tempo.
No período pré-escolar; dos 2 aos 6 anos o desenvolvimento continua a ser acelerado, desde as mudanças físicas passando pela forma como pensa e age. A evolução é um processo organizado sendo que a independência e autonomia é mais evidente na criança de 5 anos do que na criança de dois anos. No período escolar; dos 6 aos 12 anos, as capacidades físicas estão mais aperfeiçoadas, as capacidades de aprendizagem ocorrem com relativa velocidade e o pensamento torna-se menos intuito e mais lógico. A criança tem um papel fundamental na família e na sociedade. A criança de hoje será o adulto de amanhã. A forma como educamos as nossas crianças é determinante para o tipo de sociedade em que vivemos e viveremos no futuro. Educar para formar cidadãos conscientes e responsáveis é a obrigação de todos nós. Depois de sabermos e passarmos por todas estas fases, como podemos equacionar a questão de voltar atrás? Crescer dói, tanto fisicamente como psicologicamente. Certo é que ninguém pretende passar pela dor que já passou. Se pudéssemos escolher e passar apenas pelas fases boas da vida, sim, isto sim, mas não é possível. Todas as fases ordenadas por que o indivíduo passa têm a sua razão de existir.
Vivemos num mundo em que “lutamos contra o tempo, contra a degradação.” Tentamos encontrar o “elixir da vida”, sem sucesso. Ao nascermos velhos não seríamos automaticamente sujeitos a um processo de rejeição? E como seria ensinar uma criança com características de velho? Seria possível ensinar com sucesso e ao mesmo ritmo uma criança senil e doente? Certo é que o processo seria muitíssimo mais lento e menos eficaz. O processo de ensino seria efectuado por quem? Pelo idoso com características de bebés? Não estaríamos mais interessadas em brincar com o “brinquedo” acabado de nascer?
Hoje em dia já há características típicas dos indivíduos idosos que podem ser atenuadas. A ciência já consegue, curar doenças e, através de cirurgia ou técnicas mais ou menos evoluídas, devolver alguma juventude a quem anseia por ela. As rugas são sinónimo de velhice e ninguém quer ser velho. A sociedade de hoje tende a alterar valores e a parte estética no ser humano é cada vez mais valorizada. Mas o ser humano não é apenas exterior é essencialmente interior. As rugas internas ninguém as consegue tirar, são marcas que conferem riqueza ao ser humano. A essência da vida é vivê-la na sua plenitude e aproveitar tudo o que de bom ela nos traz, e aceitar com naturalidade, o fim para que todos nascemos, a morte.
BIBLIOGRAFIA:
Gomes, P. (2004) Análise Psicológica O que é ser criança? Da genética ao comportamento
Marchand, H. (2001) A sabedoria – Psicologia do Desenvolvimento
Oliveira, M. & Cunha, M. (…) Infância e Desenvolvimento
Silva, L. (2008) Da velhice à terceira idade: o percurso histórico das identidades atreladas ao processo de envelhecimento
Tavares, J., Pereira, A, Gomes, A., Monteiro, S., Gomes, A. (2007). Manual de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem, Porto Editora
SITES CONSULTADOS:
http://pt.scribd.com/doc/25311524/Teoria-Sociocultural-de-Vygotski
*1 http://www.porraman.com/2009/01/o-curioso-caso-de-benjamin-button-the-curious-case-of-benjamin-button/
*2http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/rinchoa-idosa-morta-casa-psp-tvi24/1231920-4071.html
Tarefa 2
No meu percurso de trabalho, nesta unidade curricular, as dificuldades de acompanhamento foram reais. O esforço contínuo para corresponder às tarefas propostas foi extenuante e nem sempre o acompanhamento das tarefas foi conseguido com a velocidade proposta. A gestão do tempo é uma componente essencial do ensino online assíncrono e todas as tarefas propostas têm prazos a ser obrigatoriamente cumpridos. Claro que com muito esforço e espírito de sacrifício tudo se consegue, e acredito que não terei sido a única aluna a fazê-lo. Por vezes a vida familiar fica para segundo plano, mas há que estabelecer prioridades e tentar compensar depois o que não se conseguiu no momento certo.
No início do período lectivo, e mais propriamente nesta unidade curricular, o diagnóstico acerca dos pré-requisitos foi essencial para um conhecimento prévio do que se sabia ou não sobre esta matéria. Havia conhecimentos que tinha como verdades absolutas e que ao longo do percurso e das matérias abordadas se foram dissipando, e outros conhecimentos foram ganhando força.
Todos os conteúdos abordados foram devidamente complementados com materiais (textos, publicações, ferramentas multimédia e outros), que funcionaram como base de estudo e como uma mais-valia para os conhecimentos adquiridos. De todos os aspectos, o que considerei mais importantes e mais valiosos foram as ferramentas multimédia que não conhecia e que foram de extrema importância para conhecimento da minha capacidade cognitiva e metacognitiva. No meu entender, ouve algumas partes em que perguntas de âmbito mais pessoal interferiram com a minha capacidade de resposta (nomeadamente nas perguntas referentes ao guião do filme babies).
A metodologia de trabalho, no meu entender, foi adequada, isto porque ao elevar a fasquia no que concerne ao volume de trabalho pedido, e ao número de trabalhos propostos levou os alunos a envolverem-se mais afincadamente para não perderem o ritmo nem “o fio a meada”.
Quanto ao método de avaliação não tenho nada a apontar nesta unidade curricular. O professor enquanto profissional de educação tem formação, capacidade, e autonomia pedagógica para saber avaliar, senão não estaria a desempenhar funções de tamanha competência e responsabilidade.
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